O projeto Cine Fama teve início hoje, dia 18/09/2010, com a exibição de “Separações” (2002), filme de teor autobiográfico do dramaturgo Domingos Oliveira. Originalmente concebido para o palco e adaptado, a posteriori, para as telas, “Separações” apresenta o amor entre Cabral e Glorinha, personagens encenados pelo próprio Domingos Oliveira e por sua esposa Priscilla Rosenbaum.
Repleto de referências ao mundo das artes (teatro, poesia, arquitetura, romance etc.) e da filosofia, o filme problematiza de maneira (aparentemente) simples as aporias do amor na contemporaneidade, suscitando diversos prismas por onde enxergá-lo. Da ética hedonista (“é melhor se arrepender do que se fez do que não se fez”, “o homem só é fiel patologicamente”) ao engajamento responsável (o homem é livre não quando segue seus instintos mas quando assume as suas escolhas), o filme toca numa questão (eu diria) existencial, pela qual cada um de nós, se já não se deparou com ela, certamente um dia irá conhecê-la. Tal questão pode ser sintetizada na seguinte pergunta: é possível o amor sobreviver à sua “institucionalização”? Em outras palavras: liberdade, amor e casamento podem conviver pacificamente?
Essa foi uma das questões trazidas à tona durante o debate (mediado pelo prof. César Borralho) que sucedeu ao filme. Os presentes (estudante de Letras da FAMA e convidados) expuseram suas impressões, leituras, discordâncias e indagações sobre o filme. Fiquei com a sensação de que mais poderia ser dito e que uma conversa mais demorada nos ajudaria a ver algo além do que cada um de nós pôde ver, individualmente, durante a exibição. Penso ser essa a importância da conversa após o filme: a possibilidade de saber do olhar do outro para melhor conhecermos o nosso. Foi justamente por isso que tomei a iniciativa de fazer este blog do Cine Fama: para que nossa conversa continue, ininterrupta, para além da sala onde o filme foi exibido.
A todo(a)s o(a)s que lá estiveram, o nosso (meu e da FAMA) abraço de agradecimento por terem comparecido nesta manhã e pela paciência com que suportaram os entraves técnicos iniciais. Sintam-se convidados e cordialmente intimados a deixarem neste blogue seus depoimentos, críticas, sugestões, aplausos, reproches etc. etc.
Rafael Quevedo
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